O debate climático voltou ao centro da geopolítica internacional em 2025. Na COP30, em Belém, líderes de mais de 160 países reafirmaram o compromisso de reduzir as emissões globais de carbono em 43 % até 2030, em comparação aos níveis de 2019. O movimento foi impulsionado por anúncios recentes da China, dos Estados Unidos e da União Europeia, que já representam juntos mais de 50 % das emissões mundiais. (apnews.com)
A China, maior emissora global, prometeu atingir o pico de emissões até 2027 e alcançar neutralidade de carbono até 2060, acelerando o fechamento de usinas a carvão e ampliando o investimento em energia solar e eólica. Só em 2025, o país deve instalar mais de 200 GW de capacidade renovável, um número superior a toda a matriz elétrica do Brasil.
A União Europeia, por sua vez, planeja reduzir em 55 % suas emissões até 2030, mas enfrenta resistência interna de setores agrícolas e industriais que temem perda de competitividade. Já os Estados Unidos reafirmaram investimentos bilionários no programa Inflation Reduction Act, voltado à transição energética.
Impactos econômicos e estratégicos
Um estudo da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) publicado em março aponta que a transição verde pode aumentar o PIB global em até 4,7 % até 2035, se os investimentos forem bem direcionados. (theguardian.com)
Países que adotarem mais cedo políticas de descarbonização tendem a atrair capitais internacionais, enquanto os que atrasarem correm o risco de perder competitividade, especialmente nos setores de energia, transporte e agricultura.
O debate também envolve tarifas climáticas — taxas aplicadas sobre produtos de países que não cumprem metas de emissões. A França e a Alemanha já defendem a ampliação dessas barreiras. (lemonde.fr)
Reflexos para o Brasil
O novo ciclo climático global traz oportunidades e desafios:
Oportunidade: o Brasil, com forte matriz renovável e potencial florestal, pode se tornar líder na exportação de créditos de carbono e energia limpa.
Desafio: as tarifas verdes podem penalizar exportações de produtos agrícolas e industriais, se o país não provar redução de emissões ou rastreabilidade ambiental.
Estratégico: iniciativas como o Tropical Forests Forever Facility (lançado na COP30) podem gerar novas fontes de receita com preservação ambiental.
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